Por Paloma Loureiro Rigaud

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O número de repórteres nas redações diminuiu, o número de anúncios reduziu em mais de 75% no jornalismo impresso e a audiência dos telejornais também está em processo de decadência. Mas isso não quer dizer que as pessoas não se interessem mais pelas notícias. O modo de fazer jornalismo e de receber essas notícias não é mais o mesmo porque o jornalismo não é mais o mesmo e o público também não. As notícias agora são on demand, e nós podemos ter as notícias que queremos e quando quisermos. O jornalismo digital surgiu por essa necessidade do jornal se adaptar a esse novo público, que é mais tecnológico, e que não tem mais tempo de esperar pelas informações.

Mas talvez esse seja o problema. Tentando suprir a necessidade de agradar esse público que se fideliza ao meio que publica a notícia primeiro, o jornalista acaba deixando de lado o principal: a qualidade e a veracidade dessas informações. A urgência por trás de um “furo” faz com que o jornalista acabe esquecendo alguns aspectos que são essenciais na apuração de uma matéria. E, infelizmente, não é mais um choque tão grande descobrir que antes mesmo da notícia acontecer, já existem duas versões dela salvas nos templates e prontas para serem lançadas online. Notícias inventadas, diga-se de passagem.

As notícias não são mais propriedade dos jornalistas, mas de qualquer pessoa que tenha acesso à rede e à informações. As notícias circulam não só nos portais dos grandes jornais, mas também nos blogs individuais, no Twitter, no Facebook, no Snapchat e em todas as redes sociais que permitam a divulgação de informações, sejam elas quais forem. No cenário atual, o jornalista tem que admitir que ele não pode saber tudo, que o antigo leitor agora também é produtor de conteúdo, e que agora, mais do que nunca, a preocupação com a qualidade das notícias não pode ser jogada de lado.

Como já foi abordado na segunda postagem desse blog, a concorrência dos jornalistas não mais se limita aos outros jornalistas, ou ao público. Agora, já é possível que um algoritmo escreva notícias e essas sejam publicadas segundos após a informação ser disponibilizada. O Quakebot, por exemplo, é um software capaz de colher informações disponibilizadas por fontes confiáveis, como o Instituto de Pesquisa de Geologia dos Estados Unidos, transferir essas informações para um template e “escrever” em questão de segundos uma matéria com todas as informações necessárias sobre algum terremoto.

Por esses motivos, surgiu uma nova forma de fazer jornalismo, chamada de Slow Journalism, ou Jornalismo Lento. A intenção é que as notícias sejam levadas a sério e se aprofundem em um assunto, mesmo depois da agenda jornalística já ter esquecido o fato. The Slow Journalism Company, dona da primeira revista de jornalismo lento do mundo, a Delayed Gratification, reafirma a necessidade desse movimento. Para eles, é importante contar como as histórias terminam, não só como elas começam. Contá-las de forma detalhada, não importando o tempo que isso leve.

Com essa necessidade atual de rapidez em todos os aspectos da nossa vida e o medo de algoritmos tomando o lugar de jornalistas, podemos, ao menos, admirar a coragem desse movimento de tentar trazer para o jornalismo os ideais que foram pensados em sua origem, o objetivo de levar informação para o povo, e o desejo de manter a qualidade dessas informações.

Referências:

WALKER, Alissa. Quakebot: An algorithm that writes the news about earthquakes. Disponível em: <http://gizmodo.com/quakebot-an-algorithm-that-writes-the-news-about-earth-1547182732>. Acesso em  04 de outubro de 2016.

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