Atualmente, fala-se muito de que a internet é o novo meio revolucionário das comunicações. Ao longo de sua evolução, desde os anos de 1990 para cá, nota-se que seu campo de atuação está em tudo o que é (ou pode ser) automatizado. Carros que avisam a hora de fazer a revisão, relógios que marcam os passos dados e as calorias perdidas, já não são coisas fora da nossa realidade.

É sobre isso que a teoria da “Internet das Coisas” (IoT), irá tratar. Em seu texto “A internet das coisas”, Lemos traz a seguinte definição para o termo: “é uma  nova  configuração da rede internet,  na  qual  objetos (reais e virtuais, ou seja, concretos e digitalizados) trocam informações sem um usuário humano dirigindo  diretamente  o  processo”.

São redes conectadas por sistemas informacionais que aumentam o poder de comunicação das pessoas com os objetos e dos objetos com eles mesmos. Quando postamos uma foto em uma rede social ou mandamos um e-mail, por exemplo, é necessário primeiro um ação do usuário para que a foto seja postada e o e-mail enviado. No caso do carro, ele avisa sozinho a hora da revisão, sem precisar da ação do motorista.

Segundo Lemos, é como se os objetos de fato ganhassem vida própria. Eles falam, tomam decisões, resolvem problemas e se adaptam ao seu entorno. Ele irá destacar, entretanto, que o desafio será não pensar nas funcionalidades desses objetos tecnológicos, mas sim pensar sobre os efeitos que eles irão produzir na sociedade.

Sobre isso, Lucas Carvalho, do Portal Imprensa, faz a seguinte afirmação:

O conceito de “internet das coisas” define a conectividade das pessoas com a internet 24 horas por dia, através dos mais diferentes gadgets. Essa tendência também pode mudar o fluxo e a velocidade com que a informação é transmitida num futuro próximo.

A ânsia de se estar conectado e saber de tudo, o fato de hoje não mais “acessarmos a internet”, porque ela esta em tudo, já representam consideráveis mudanças no comportamento social. Abaixo iremos discutir os impactos trazidos pela IoT no jornalismo digital.

Jornalismo e IoT

Dentro do jornalismo, e mais especificamente do jornalismo digital, a IoT já é popularizada e cotidiana. Uma reportagem divulgada no site da revista Super Interessante, em junho de 2010, mostra os primeiros sinais de intervenção da IoT nos veículos de comunicação.

A matéria foca em dois formatos específicos: o QR Code e das Etiquetas RFID. Muito usado por revistas e também pela publicidade, o QR Code é uma espécie de etiqueta com um código de barras, na qual o leitor pode aproximar a câmera do celular que irá escanear o código, levando o leitor a uma nova informação sobre aquela matéria.

As Etiquetas RFID (Radio-Frequency IDentification ou, em português, “Identificação por Radiofrequência”), funcionam de forma parecida, só que através da frequência do rádio.

Outro exemplo interessante é o do aplicativo para trânsito Waze. Além de funcionar como um GPS, ele também oferece rotas alternativas, mostra onde estão as blitzs, os locais engarrafados, com buracos, acidentes, radares de velocidade e até os semáforos. Todas as informações vêm a partir da atualização dos próprios usuários. O Waze se mostrou tão eficiente que, agora, é a mais nova fonte dos telejornais e portais de notícias para falar sobre o trânsito. Não é incomum lermos notas no início da manhã, onde se diz, “segundo usuários do aplicativo Waze…”, ou ver nos telejornais a tela do aplicativo sendo projetada em grande escala no estúdio da TV.

Em agosto de 2013, a Folha de S. Paulo utilizou o Google Glass, óculos que captam imagens e envia a um smartphone que retransmite o sinal de vídeo para a internet através de uma rede de celular. A Folha transmitiu as imagens das manifestações em São Paulo ao vivo. Além do Google Glass, imagens de um smartphone instalado em um drone, veículo aéreo não tripulado, também foram utilizados pelo jornal. O Brasil não foi o primeiro a utilizar o óculos para cobrir matérias jornalísticas, o site americano Vice já havia utilizado para cobrir fatos da Turquia. Em 2014, o jornalista do site Business Insider, Kyle Russel, estava cobrindo uma manifestação contra o Google utilizando um Google Glass. Uma manifestante arrancou o óculos de Russel e pisou. Confira o protesto de agosto de 2013 em São Paulo do ponto de vista do Google Glass e do drone:

A influência das novas tecnologias é tão grande e ganha um alcance tão importante que alunos de jornalistas da Universidade do Missouri e da Universidade de Nebraska nos Estados Unidos, passaram a dar aulas sobre como utilizar os drones para produzir reportagens. De acordo com a revista Galileu, os alunos monitoravam e vigiavam as queimadas e observavam o nível da água dos rios com os veículos aéreos não tripulados. Além de saber como utilizar o aparelho no jornalismo, os alunos aprendiam sobre como funciona a Administração Federal de Aviação (FAA), além das questões de regulamentação, privacidade e ética que envolvem o uso do drone. Confira imagens do drone:

Mas não precisa ir muito além para saber da influência das IoTs no jornalismo. É só pensar que, há alguns anos, apenas existiam câmeras analógicas e não existiam celulares para fazer a comunicação dos jornais. O processo de produção de uma matéria demorava muito mais tempo do que atualmente, que qualquer pessoa a qualquer lugar pode escrever uma matéria, tirar uma foto e enviar para o jornal de onde estiver – se a internet estiver funcionando e tiver energia. As IoTs revolucionaram – e revolucionam – a forma de produção do jornalismo diariamente. Além de auxiliar na agilidade, o conteúdo jornalístico se aprimora e cada vez mais faz com que os jornalistas tenham acesso a mais detalhes dos fatos e, dessa forma, proporcionem uma matéria mais completa aos leitores.

Referências:

Exame, Tecnologia. Disponível em: <https://www.google.com.br/amp/amp.exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/folha-usa-google-glass-para-transmitir-manifestacoes-ao-vivo?client=ms-android-samsung> Acesso em 21 de outubro de 2016

Galileu, Common. Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI331897-17770,00-ALUNOS+DE+JORNALISMO+TEM+AULAS+COM+DRONES.html>

Lemos, A. Internet das coisas (cap. 6). In: _____. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013

Portal Imprensa, Notícias. Disponível em: <http://www.portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/65021/novas+tecnologias+prometem+grandes+mudancas+na+imprensa+dizem+jornalistas> Acesso em 21 de outubro de 2016

Terra, Tecnologia. Disponível em <https://www.google.com.br/amp/s/tecnologia.terra.com.br/amp/eua-reporter-e-atacado-ao-usar-google-glass-em-manifestacao,bc79d3225b065410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html?client=ms-android-samsung> Acesso em 21 de outubro de 2016

Anúncios