A Teoria Ator-Rede é um estudo sociológico que sugere que “o social é formado a partir das associações e o objetivo é revelar as redes que se formam a cada momento” (LEMOS; PASTOR, 2014). O social está sempre reassociando, reagrupando, reincorporando e reafiliando. Desta forma, todo objeto é entendido como insolúvel, como “ator-rede”. A TAR, como é chamada, objetivava entender e explicar o nascimento dos fatos científicos.

A TAR nos traz a ideia de associar, e traduzir através da sociologia. É sobre o que tange seres e coisas e as formas como se relacionam. Nesta teoria, o ator sustenta-se pelo papel desempenhado por ele,é determinado pelo efeito que produz na rede, por quão ativo ele é, e pelo quanto ele repercute. Ele não é só representado pela figura humana. Pode ser animal ou objeto. A rede, por outro lado, são todas as conexões e interligações que envolvem os atores.

Esta teoria sociológica foca na ideia de que os atores estão em constante ligação com uma rede social de elementos imateriais e materiais. Nela, os atores humanos e não humanos (como computadores e tablets, muito presentes na vida de jornalistas digitais) estão sempre interferindo e influenciando o comportamento um do outro. As associações sociais são bastante híbridas, não havendo uma separação clara entre suas peças.

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Nessa teoria, existe o primeiro agente, o ator. O ator é definido a partir do papel que desempenha, do quão ativo, repercussivo, e qual o efeito que ele produz em sua rede. No caso do jornalismo digital, e o jornalismo em si, o ator dessa relação seria o jornalista. Até mesmo o jornalismo pode ser considerado o ator, em um contexto mais abrangente, já que de fato é o jornalismo que produz, através do jornalista, um efeito na rede. O jornalista faz com que uma informação ou notícia seja representada através de textos ou de imagens, para atingir o seu público.

O ator e a rede estabelecem as suas conexões a partir das similaridades ou relações existentes entre eles. Um exemplo para exemplificar essa relação entre o ator e a rede é a de um enunciado científico. Ele irá circular entre os lugares que se interessam por ele, como laboratórios, e será modificado, refutado ou aceito segundo as crenças dos interessados. Os atores são os pesquisadores que desenvolveram o enunciado, e os laboratórios seriam a rede. Eles estão interligados pela similaridade, a relação, e o interesse sobre os mesmos. Eles agem mutuamente, interferem e influenciam o comportamento um do outro, e com o tempo, para que sejam aceitos, os enunciados científicos terão que ser cada vez mais precisos e verificados. Com o jornalismo funciona da mesma forma. A tradução da informação para ser representada é constantemente criticada e modificada, para que continue sendo aceita. O jornalista tem um papel muito ativo e importante sobre essa rede, e é modificado juntamente com o seu produto.

Sem rede não há jornalismo digital. A rede é fundamental para a formação da relação entre objetos. Pensando no contexto internet, ela traz duas dimensões enquanto rede: uma voltada para a infraestrutura – a ideia de “espaço” -, criando uma possível emancipação (1). A outra dimensão é a rede como associação de humanos e não humanos, deixando rastros, ou seja, o que se atualiza (2). Isso permite que o jornalista, em especial o digital, possa ser revolucionário em um contexto e não ser em outro, já que a notícia postada em um veículo online, por exemplo, é uma associação específica produzida em um espaço determinado.

A ideia de rede enquanto o fazer social não é de todo certa. O raciocínio mais coerente é de que são as diversas associações, que compõem o social, criam as redes entre seus elementos. Por isso, observar o social é elaborar as associações, as redes. Segundo Lemos (2014), os objetos humanos e não humanos, “compõem as redes e são eles mesmos redes, mônadas, partes e todo ao mesmo tempo”.

Voltando para a afirmação logo acima: sem rede não há jornalismo digital porque o jornalismo é alimentado de associações, principalmente humanas. O jornalismo digital, por sua vez, existe porque há um espaço – infraestrutura – que permite seu formato.

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Lemos, A.; Pastor, Leonardo . Internet das coisas, automatismo e fotografia: uma análise pela Teoria Ator-Rede. Revista FAMECOS (Online), v. 21, p. 1016-1040, 2014.

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