O dia começa, e você já quer saber das notícias. Dentre o vários meios de comunicação disponíveis, você escolhe aquele mais rápido e que estará mais acessível no momento, afinal você pode estar em qualquer lugar. Muito provavelmente, você irá escolher a internet. Dentro da internet, dificilmente você irá abrir um portal de notícias. Irá direto para alguma de suas redes sociais: Facebook, Instagram, Twitter ou qualquer outra. Lá, terá acesso não apenas às notícias divulgadas pelos portais, como também aos posts e comentários sobre o fato e, caso você realmente julgue relevante, irá compartilhar para que mais pessoas vejam. No meio disso, ainda dá para curtir aquela foto da viajem do seu amigo.

Essa é a forma como a maioria das pessoas se informa hoje. Dentro do jornalismo digital, as redes sociais funcionam como uma das principais ferramentas externas – fora do próprio site – na hora de disseminar as notícias e se aproximar do leitor. Em seu texto, Redes Sociais na Internet, Raquel Recueiro irá dizer que as redes sociais são formadas por atores (pessoas, instituições ou grupos que compõe a rede) e de conexões (a forma como os atores se relacionam dentro da rede). Nesse contexto, o jornal estará como um ator social que terá que se comunicar com outros atores sociais, no caso, seus leitores. Para isso, ele irá ganhar uma personalidade, que será construída desde a escolha das notícias que vão ser postadas, até a forma com o post é escrito.  

Segundo Recueiro (2009), as redes sociais são espaços de interação caracterizados por uma expressão pessoal. Perfil, é como são chamadas as contas criadas nessas redes, onde as pessoas fazem uma “construção de si” (SIBILIA, 2003 e 2004; LEMOS, 2002). Para estabelecer um diálogo direto com o leitor, os jornais não irão fugir a essa regra. Qualquer empresa que entra em uma rede social, precisa criar uma persona para vender seu produto (neste caso, a notícia). Se o leitor precisa se identificar com a linha editorial do jornal para consumir suas notícias, então também precisa se identificar com a forma que ele se comunica nas redes sociais.

Quem tem acesso diário aos posts dos jornais no Facebook e Twitter e nunca teve contato com gerenciamento de mídia, nem imagina toda uma estratégia que está por trás da construção  da arquitetura da página. Com a análise de seu público-alvo, hábitos de consumos específicos desse público e todas as possíveis variáveis que influenciarão na forma de consumir dessas pessoas, a identidade visual e escrita das instituições vão tomando forma. Com o jornalismo digital, o “social media” nasceu. É esse profissional que irá manter a identidade da página, programando as postagens do Facebook, seguindo o “editorial” do veículo e, principalmente, acompanhando os números de acessos da página, desde a taxa de conversão de notícias em cliques no site, quais matérias estão sendo mais acessadas, e até mesmo quais postagens estão tendo uma maior interação do público, para impulsionar a publicação (ferramenta disponível pelo Facebook; o veículo paga uma determinada quantia para que a postagem tenha um maior acesso). Dessa forma, dia após dia a imagem dos veículos são construídas para que o público tenha uma maior aceitação de suas notícias. Novas tecnologias são aderidas, hashtags e brincadeiras com o público são utilizadas; tudo para a construção da página e um maior acesso dos usuários ao site.

Análise de linguagem

Analisando três portais de notícias online – G1, Bahia Notícias e Correio24horas – alguns aspectos podem ser notados: O texto da postagem é sempre curto, raramente passando de duas linhas, a ideia é que ele funcione como subtítulo da matéria, e que tenha informações que chamem a atenção do leitor para clicar na noticia.

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Outro fator bastante explorado nas postagens é a hashtag. Uma ferramenta de pesquisa extremamente útil, usada e abusada pelos portais que querem que suas notícias apareçam primeiro nas pesquisas do Google. Abaixo segue o exemplo do portal Bahia Notícias, que publicou uma notícia sobre o processo de impeachment, e usou a hashtag #Política.

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Dessa forma, se alguém buscar no Facebook pela #Política, certamente irá se deparar com essa notícia. Isso leva a mais acessos no site. Alguns também, utilizam hashtags do próprio veículo. A página do G1, sempre utiliza #G1, assim como a Folha De S. Paulo utiliza #folha.

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Outro recurso de linguagem bastante utilizado nas publicações são os emojis. Antes utilizados por jovens, em conversas particulares de chats, para expressar sentimentos; hoje eles são explorados pelos portais como forma de gerar uma linguagem informal e se aproximar do leito. Eles são muito utilizados em notícias ligadas ao lazer, a cultura, ao dia-a-dia,  que pedem uma comunicação mais leve, longe da formalidade de notícias sobre política e economia, por exemplo.

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Em ambas as publicações, os emojis refletem as reações mais comuns que o leitos poderia ter ao ler a notícia: a tristeza pelo fato dos livros ficarem mais caros, e o frio (congelando igual a um boneco de neve), por conta do mau tempo. Em tese, os emojis continuam com a mesma função de representar sentimentos, porém, diferente diferente do chat, o jornal põe carinhas chorando como uma forma de dizer ao leitor que também esta muito triste pelo aumento do preço nos livros. É uma forma de humanizar a notícia, levando a uma aproximação e identificação com o leitor.

A adaptação da plataforma à disseminação da notícia

O Twitter é um microblog que surgiu em julho de 2006, entretanto, além de blog, o Twitter tem um caráter híbrido, funcionando também como rede social. Inicialmente a plataforma era utilizada para responder a pergunta “O que você está fazendo?”, potencializando a característica de rede social e fazendo com que os usuários postassem mais sobre sua rotina. Ao longo dos 10 anos de uso da rede social, muitos usos foram surgindo e a ferramenta acabou sendo apropriada para diversas outras finalidades, inclusive para o jornalismo. O Twitter se adaptou, por exemplo, à forma com que os próprios usuários estavam o utilizando. Com o mínimo de 140 caracteres por atualização, o surgimento de convenções dos usuários acabou fazendo com que a plataforma inserisse os recursos de “hashtags”, “retweets”, “replies”, entre outros. Evidenciando ainda mais a importância que a disseminação de notícias teve dentro dessa plataforma, teve a atualização de sua pergunta inicial, que passou de “O que você está fazendo?” para “O que está acontecendo?”, uma mudança simples, mas que acaba trazendo uma diferença conceitual ao uso cotidiano do microblog. Dentro da plataforma, a notícia pode ser utilizada para que os usuários a relatem em primeira mão, para comentá-la após recebê-lo de outras fontes ou até mesmo para repassá-la após ter visto em outros lugares, ou no próprio Twitter, com a ferramenta “retweet” ou não. Os próprios veículos utilizam do Twitter de diversas formas, com cobertura minuto a minuto, com a divulgação das últimas notícias ou até mesmo com os bastidores de alguma cobertura importante.

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   What’s happening? / O que está acontecendo? 

Outra ferramenta criada pelo Twitter no segundo semestre de 2015 foi o “Tweet Moments”, que é uma aba da plataforma onde os usuários podem acessar os principais fatos do dia reunidos em uma lista. O sistema é dividido em editoriais: Entretenimento, Diversão, Hoje, Notícias e Esportes.  Existe uma equipe de jornalistas, liderados por Leonardo Stamillo, diretor editorial da plataforma na América Latina, que inicia cada assunto com um breve texto – e uma imagem ilustrativa – explicando o que será abordado, seguido dos tweets selecionados para compor a notícia (veja aqui). A aba é alimentada durante todo o dia, de acordo com a frequência do surgimento das notícias.

 

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Mudança do fluxo informacional

Como novo meio de comunicação, a internet trará dois fatores importantes para a mudança do fluxo informacional: a possibilidade de todos serem não apenas receptores, como também emissores de informação; e a aproximação dos meios de comunicação de massa com o público. As redes sociais irão potencializar ainda mais esses dois agentes.

A possibilidade de gerar informação, já não é mais exclusiva dos grandes meios. Basta qualquer um esta com um celular que notícias, desde um pequeno acidente, até desastres naturais, podem ser transmitidas. O jornalismo digital irá se aproveitar disso. Na maioria das vezes, as notícias chegam através de um chamado “textão” no Facebook, de uma foto no Instagram, ou de um tweet. Essas pessoas serão as grandes fontes dos jornalistas da nova era.

Depois de apurada e publicada no site, a notícia já vai para as redes sociais. A partir desse momento, o feedback instantâneo. Através dos comentários, curtidas e compartilhamentos, é possível ter uma análise quantitativa e qualitativa da notícia que esta sendo veiculada.

Isso é o que Reid (1991), irá caracterizar como comunicação sincrônica:

 

Uma comunicação síncrona é aquela que simula uma interação em tempo real.  Deste  modo,  os  agentes  envolvidos  têm  uma  expectativa  de resposta imediata ou quase imediata, estão ambos presentes (on-line,através da mediação do computador) no mesmo momento temporal.

 

Em uma de suas últimas atualizações, o Facebook adicionou novos botões de reações. Além de curtir, o leitor pode amar, rir, chorar, ficar surpreso ou zangado com uma publicação. Tudo isso contribui para que o portal ou site tenha mais retornos mais detalhados dos leitores.

 

Referências:

FOGGIATO, Andressa et al.Curadoria: uma nova possibilidade para a produção jornalística. Disponível em <http://www.portalintercom.org.br/anais/sul2016/resumos/R50-0358-1.pdf> Acesso em: 26 ago 2016

RECUERO, Raquel. Redes sociais na Internet. Disponível em: <https://www.dropbox.com/sh/0wfncfy5igdwcbo/AABlWQWO4Qltk1LleuEJ9Pzwa/Textos/Tema%204%20%E2%80%93%20Sociabilidade%20e%20redes%20sociais%20digitais/Recuero%2C%20R.%20Redes%20Sociais%20na%20Internet.pdf?dl=0&gt; Acesso em: 26 ago 2016

ZAGO, Gabriela da Silva. Recirculação jornalística no twitter : filtro e comentário de notícias por interagentes como uma forma de potencialização da circulação. Disponível em <http://hdl.handle.net/10183/28921&gt; Acesso em: 26 ago 2016

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