A multimidialização do jornalismo

Multimídia é a combinação de pelo menos um tipo de mídia estática (foto, gráfico, texto) e pelo menos um tipo de mídia dinâmica (vídeo, áudio, animação). É quando uma narrativa é contada de diversas formas em um mesmo canal. Com o advento e o desenvolvimento do jornalismo digital, essa prática passou a ser utilizada com uma maior intensidade, não só com a “utilização” de fotos e vídeos, mas a “utilização” de hiperlinks, hashtags e animações. Isso graças à  flexibilidade da web, que permite que o jornalismo feito nela seja capaz de responder às diferentes necessidades e exigência do seu usuário. As narrativas digitais na web trazem para o jornalismo digital um novo formato, com uma maior interatividade, e novas formas de contar uma história para uma maior imersão no conteúdo.

Entre muitos dos desafios do jornalista multimídia, um deles é fazer com que o produto de um determinado formato funcione em todas as plataformas. Mesmo que seja o mesmo conteúdo, ele deve ser apresentado em linguagens distintas, e com concisão. Para isso, esses artefatos devem ser utilizados para uma maior compreensão da informação, e não somente para ilustrar o que está sendo dito.

Além do exemplo mais comum que é a utilização de mídias em matérias online para os portais, com vídeos e hiperlinks para outras matérias e páginas relacionadas, passou a ser utilizado um novo método para uma maior imersão do leitor na informação.

Com diversas abas dentro de uma mesma página, os hotsites são um sítio momentâneo utilizados para destacar certo conteúdo. Explorando bastante esses elementos midiáticos para uma maior expansão do conhecimento acerca do assunto, esses microsites, como também podem ser chamados, apresentam detalhes da informação de diversas formas diferentes, para que o leitor, de fato, adentre naquela realidade.

O hotsite desenvolvido pelo jornal americano New York Times “Snow Fall: The Avalanche at Tunnel Creek” é um exemplo desse novo formato. Contando a história do desastre natural que aconteceu no ano de 2012 em Washington, os jornalistas uniram diversas histórias, fotos, mapas, vídeos com depoimentos e animações para que o leitor conheça a história de todos os aspectos para que ocorra uma maior submersão no conteúdo.

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Hotsite do New York Times, Snow Fall

Como o jornalismo digital se adapta à transmídia

Sendo a transmídia o conteúdo que se sobressai a uma mídia, é possível fazer uma clara associação dela com o jornalismo digital. É como se cada mídia dentro do jornalismo tivesse uma história e conteúdo específico, mas juntas elas se complementam. Podemos ver uma notícia no jornal impresso sobre a chegada de determinado jogador de futebol no aeroporto. No digital, a notícia sobre a chegada deste mesmo jogador conta também com vídeos de entrevista sobre a última partida e mostra o alvoroço no local, com jornalistas e fãs desesperados por fotos.

Ou então, uma matéria sobre o mesmo assunto na TV, mas que se extenda além disso e mostre o jogador em casa no dia seguinte, falando sobre sua carreira, o jogo histórico e seus planos para o futuro, além de imagens de seu filho assistindo o jogo de casa, no dia anterior. Todas essas matérias tinham o mesmo gancho, mas mostravam conteúdos diferentes. O jornalismo digital é um fenômeno muito recente e veio para complementar a transmidialidade do jornalismo em si. Tais notícias só podiam ser acompanhadas antes pelos meios mais tradicionais, como impresso, rádio e TV. A transmidialidade do jornalismo se expandiu, e agora é possível consumir informação complementar também pelo meio digital.

Todos esses meios juntos se complementam e fortalecem a informação que querem passar. Num texto do observatório da imprensa, link abaixo, é discutida a questão da cobertura do Oscar 2013, é possível perceber que “diversidade de pontos de vista e imersão também marcam a transmidialidade, significando a possibilidade de ouvir não apenas a opinião de experts, mas também de pessoas com idades e formações as mais diversas”. A transmissão do evento, transmitida por tablets, celulares e televisões teve os comentários e remixagens como parte da transmidialidade da notícia, do evento.

A transmídia significa “além da mídia”. Os diferentes meios transmitem conteúdos pro público de forma que os meios se complementem. Usando apenas um dos meios, a mensagem fica parcial e o receptor pode não captar toda a mensagem.

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Ilustração: diferença entre Crossmídia e Transmídia

O cross da mídia

O conceito de crossmídia, embora ainda muito confundido com o termo transmedia, por serem fenômenos relativamente novos e ainda em construção, deve ser esclarecido para que este moderno formato da comunicação seja de fato entendido. Crossmedia, ao pé da letra, significa “cruzar” a mídia, que por definição, configura-se como um processo de difusão de conteúdo em diversos meios. O mais importante, talvez, não seja necessariamente a adaptação para estes diferentes meios, e sim a forma como estão interligados, como “cruzam” entre si. Uma história pode ser interpretada de forma independente em diferentes mídias, de modo a reforçar a compreensão por parte do receptor.

Embora este conceito de crossmídia não tenha surgido na área de jornalismo, e sim na publicidade e no entretenimento, podem ser estudados nas suas distinções e similaridades também nesta área. Quando o receptor é levado de um meio para outro com acesso ao mesmo conteúdo. Um jogo de futebol, por exemplo, pode ser reproduzido tanto na TV quanto na internet usufruindo do mesmo formato e de forma simultânea, ou seja, com transmissão ao vivo e narração do comentarista, no intuito de levar informação ao maior número de pessoas.

Uma amostra cotidiana de crossmídia no jornalismo digital, por sua vez, são as notícias publicadas em veículos impressos e colocadas também nas plataformas online deste mesmo veículo. As Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro, por exemplo, ganhou uma atenção especial nos meios de comunicação. O fato de o evento pautar a agenda de cada veículo fez com que o jornal O Globo, por exemplo, imprimisse reportagens especiais sobre uma seleção de partidas. As mesmas matérias feitas para o jornal impresso, foram postadas no site do veículo – inclusive com nova diagramação que permite uma maior interatividade com o público-alvo.

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Jornal O Globo em versão impressa (à esquerda) e online (à direita)

Bibliografia:

Jenkins, H., Cultura da Convergência, RJ. Aleph, 2009.

Midiatismo, Vamos entender a diferença entre crossmedia e transmedia. Disponível em:<http://www.midiatismo.com.br/vamos-entender-a-diferenca-entre-crossmedia-e-transmidia-cirandablogs> Acesso em 18 de agosto de 2016.

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