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O conceito do termo “rede” se desenvolveu ao longo dos anos na medida em que foi sendo utilizado por algumas áreas distintas. A priori, restringia-se a ser empregada por tecelões significando “malha têxtil que envolve o corpo” (MUSSO, 1997). A partir do século 18, uma nova perspectiva é apresentada para rede: a palavra não é mais usada apenas como indica nos dicionários, mas para referir-se também ao aparelho sanguíneo, compondo a linguagem técnica da medicina. Só no século 19 ela passa a ser empregada no sentido de “rede de comunicação”.

Pierre Musso, em “A filosofia da Rede”, constrói uma crítica sobre a noção de rede enquanto comunicação, esta dimensão é fundamental para a constituição de uma nova estrutura do espaço e do tempo, assim como para um novo sistema de produção e reprodução da informação.

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Já na abordagem de Pierre Lévy em “O que é o virtual?”, o autor constrói o pensamento analisando a escrita e afirmando que a mesma não está só no papel, mas também no suporte eletrônico, o que torna cada vez mais acessível  a disseminação das informações. Existe hoje, uma “desterritorialização” da informação, onde as noções de unidade, identidade e localização deixam de ter sentido.

Lévy privilegia a utilização de equipamentos que transmitem imagens em tempo real e introduz novas possibilidades de criação. O webjornalismo é alimentado por esta nova forma de construção da informação.

O computador é, portanto, antes de tudo um operador de potencialização da informação, (LÉVY, pág. 41, 1996).

Em termos de digitalização, ou de potencialização do texto, essa afirmação de Lévy resume tudo. O computador se tornou uma ferramenta dinâmica que torna a leitura mais viva, proporcionando uma verdadeira penetração num universo de criação e de leitura e expansão de signos, é um operador da virtualização. A leitura é uma atualização das significações de um texto, atualização e não realização, diz Lévy.

O termo ciberespaço especifica não apenas a estrutura material do jornalismo digital, mas também a gama de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Neste sentido, o mundo passa por um processo de generalização da cibercultura,uma vez que imergimos diariamente nas novas relações de comunicação e produção de conhecimento que ela nos oferece.

Lévy utiliza um conceito de “virtual” que se distingue do senso comum, e até mesmo do termo técnico ou filosófico. Virtual não se opõe ao real, nem ao material. O virtual existe, ele é real, mas está desterritorializado, cada vez mais crescente no ciberespaço. As comunidades virtuais “são construídas sobre afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos, em um processo mútuo de cooperação e troca” (LÉVY, 1999, p.127).

É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo o saber está na humanidade, já que, ninguém sabe tudo, porém todos sabem alguma coisa (LÉVY, 2007, p. 212).

O que mais chama atenção na obra de Pierre Lévy são suas indagações sobre a nova relação que o homem estabelece com o saber. Algumas reflexões podem ser questionadas, principalmente quando se considera a questão da exclusão digital. Apesar do texto digital ser de uma grande exclusividade, é preciso diferenciar os valores e diferenças dele e do texto impresso.

 

Bibliografia:

Musso, P. A Filosofia da Rede., in Parente, A., Tramas da Rede. Porto Alegre, Sulina, 2004.
Lévy, P. O que é o virtual?. São Paulo: Editora 34, 2011.

 

 

 

 

 

 

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