Muitos pensadores tentaram estabelecer o que a comunicação de fato é, e de que forma ela é realizada. Ciro Marcondes Filho propôs o metáporo, Michel Serres os fluxos e Vilém Flusser a artificialidade. É um fato que para haver a comunicação, deve-se ter um emissor e um receptor que compreendam o código. Entretanto, para quê a comunicação é realizada? Vilém Flusser, a quem nós nos ateremos, propôs que a comunicação é artificial, uma vez que apenas é realizada para que os seres humanos esqueçam que estão fadados à morte. Diante dessa afirmação e do recorte do blog, o jornalismo digital, nos perguntamos de que forma ocorreu a introdução do jornalismo no meio digital. Será que foi um processo considerado “artificial”? Como se dá a adaptação das pessoas às novas formas de comunicação?

Gerações do Jornalismo Digital
Pensadores contemporâneos como Pavlik, Silva Jr, Palácios e Mielniczuk, podemos classificar o desenvolvimento do webjornalismo em quatro gerações. Na primeira geração, as informações eram meras reproduções de jornais impressos. Na época o que havia era apenas transposições de matérias principais para a web. Na segunda geração, os jornalistas atrelavam o conteúdo do impresso às ferramentas que a internet proporciona. A partir de um olhar especial das empresas para a internet, a terceira geração vai surgir, não dependendo mais do jornalismo impresso. O webjornalismo de quarta geração, também conhecido como o jornalismo 4G, vai utilizar os banco de dados da internet, com linguagens dinâmicas e utilizar as tecnologias disponíveis. É nela onde há a efetiva industrialização do jornalismo para a web e onde há uma maior contextualização das informações. Dessa forma, foi observado que até ser transformado em hábito ou em rotina, os jornalistas precisaram de uma fase de adaptação ao novo meio, que era a internet. Em um primeiro momento houve a necessidade de se trabalhar com o jornalismo impresso, que já era dominado por eles; depois as ferramentas passaram a ser dominadas, tendo um processo híbrido do trabalho do impresso com ferramentas do online; as empresas passaram a dar uma importância maior para essa plataforma e só assim foi feita uma produção mais independente da do impresso.

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André Lemos explica de que forma as novas tecnologias se adaptam ao meio. Para ele, as novas tecnologias não substituem simplesmente as anteriores e sim proporcionam fusões. “As novas tecnologias são assim, resultado de convergências tecnológicas que transformam as antigas através de revisões, invenções ou junções. Se os media clássicos não vão desaparecer, é certo, ao menos, que muita coisa vai mudar no conteúdo e na forma de consumirmos as informações.” Dessa forma, as formas de jornalismo impresso e digital se adaptam um ao outro.

Ele ainda ressalta que:
“A imprensa escrita, o radio e a televisão têm, através de seus colunistas, jornalistas e editores, o poder de escolher (editar) a informação que deve ser acessível ao público e, com isso, ser um bastião da democracia e da liberdade de idéias. Com a entrada das tecnologias digitais, novas formas de circulação da informação surgem. Ao modelo “Um-Todos” dos media tradicionais, opõem-se o modelo “Todos-Todos”(13), ou seja, uma forma descentralizada e universal (tudo pode ser convertido em “bits” – sons, imagens, textos, vídeo…) de circulação das informações.” (LEMOS, André. Anjos interativos e retribalização do mundo. sobre interatividade e interafaces digitais. Tendências XXI, Lisboa, 1997)

Palácios reitera o pensamento da adaptação das formas de jornalismo, quando afirma que as características do webjornalismo são continuidades e potencializações e não, necessariamente, como rupturas com relação ao jornalismo praticado em suportes anteriores.
Números interessante

O rádio demorou 38 anos para alcançar a marca de 50 milhões de usuários
A televisão, 13 anos.
A Web, 4 anos.

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1994: primeiro diário online
2000: mais de 5.000 diários, mais da metade nos EUA

 

Bibliografia
Fazendo Jornalismo em Redes Híbridas: Notas para discussão da Internet enquanto suporte mediático – Marcos Palácios
O Desafio da Apuração Jornalística no Ciberespaço – Vilso Junior Santi
Anjos Interativos e Retribalização do Mundo. Sobre Interatividade e Interafaces Digitais – André Lemos

 

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