A evolução do jornalismo digital

Em nosso primeiro texto neste já saudoso blog, levantamos algumas questões acerca do jornalismo digital. Foram elas: de que forma ocorreu a introdução do jornalismo no meio digital? Será que foi um processo considerado “artificial”? Como se dá a adaptação das pessoas às novas formas de comunicação?

Entre técnicas e tecnologia, rede, novas mídias, redes sociais, ciberativismo, vigilância, mobilidade e a comunicação das coisas, respondemos todas estas questões e criamos muitas outras. O que é normal, uma vez que o jornalismo digital ainda está em fase de desenvolvimento com as novas ferramentas disponíveis.

O jornalismo online surgiu da necessidade dos jornais impressos disponibilizarem o seu conteúdo na internet, já que esta passou a ser a nossa principal plataforma de consumo de informações. Com a intenção de ampliar a distribuição das notícias em um novo canal, o processo de mudança na comunicação, de uma forma geral, está passando pela contemporânea convergência das mídias, plataforma que vai se agregando, inovando e consequentemente ganhando novos formatos e forças.

Por se tratar de algo natural – e não artificial -, que foi surgindo de acordo com a demanda e, de novo, necessidade, o jornalismo digital traz um leque vasto de oportunidades onde a internet e suas conexões apresentam o cotidiano ao leitor de forma mais interativa, sendo esta a principal característica do web jornalismo, agregando hiper e multimídias nas produções.

Basta olhar para o lado que, com certeza, tem alguém conectado. Isso já é uma indicação de como as pessoas receberam o jornalismo digital e como foi esta adaptação. Hoje, os grandes jornais não têm apenas um site de notícias, como também disponibilizam o próprio jornal impresso em formato digital para assinaturas. Isso sem falar no surgimento dos portais online, que aceleram o ritmo de notícias, gerando atualizações constantes, quase que por minuto, dos fatos.

O jornalismo digital surgiu para atender a demanda do público, que cada vez mais passou a utilizar a internet como fonte de informação. Ora, uma plataforma gratuita, rápida e que está, literalmente, na palma da sua mão parece muito mais atrativa do que o velho jornal que está nas bancas.

Com este blog, esperamos ter esclarecido um pouco mais sobre o mundo do jornalismo digital, que muitos utilizam, mas poucos sabem de onde vem e quais as suas consequências para o meio da comunicação. Vamos ver o que as próximas transformações da internet e das tecnologias farão com o jornalismo digital. O que resta a nós jornalistas é aguardar… E enquanto isso, produzir.

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O jornalismo que demora

Por Paloma Loureiro Rigaud

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O número de repórteres nas redações diminuiu, o número de anúncios reduziu em mais de 75% no jornalismo impresso e a audiência dos telejornais também está em processo de decadência. Mas isso não quer dizer que as pessoas não se interessem mais pelas notícias. O modo de fazer jornalismo e de receber essas notícias não é mais o mesmo porque o jornalismo não é mais o mesmo e o público também não. As notícias agora são on demand, e nós podemos ter as notícias que queremos e quando quisermos. O jornalismo digital surgiu por essa necessidade do jornal se adaptar a esse novo público, que é mais tecnológico, e que não tem mais tempo de esperar pelas informações.

Mas talvez esse seja o problema. Tentando suprir a necessidade de agradar esse público que se fideliza ao meio que publica a notícia primeiro, o jornalista acaba deixando de lado o principal: a qualidade e a veracidade dessas informações. A urgência por trás de um “furo” faz com que o jornalista acabe esquecendo alguns aspectos que são essenciais na apuração de uma matéria. E, infelizmente, não é mais um choque tão grande descobrir que antes mesmo da notícia acontecer, já existem duas versões dela salvas nos templates e prontas para serem lançadas online. Notícias inventadas, diga-se de passagem.

As notícias não são mais propriedade dos jornalistas, mas de qualquer pessoa que tenha acesso à rede e à informações. As notícias circulam não só nos portais dos grandes jornais, mas também nos blogs individuais, no Twitter, no Facebook, no Snapchat e em todas as redes sociais que permitam a divulgação de informações, sejam elas quais forem. No cenário atual, o jornalista tem que admitir que ele não pode saber tudo, que o antigo leitor agora também é produtor de conteúdo, e que agora, mais do que nunca, a preocupação com a qualidade das notícias não pode ser jogada de lado.

Como já foi abordado na segunda postagem desse blog, a concorrência dos jornalistas não mais se limita aos outros jornalistas, ou ao público. Agora, já é possível que um algoritmo escreva notícias e essas sejam publicadas segundos após a informação ser disponibilizada. O Quakebot, por exemplo, é um software capaz de colher informações disponibilizadas por fontes confiáveis, como o Instituto de Pesquisa de Geologia dos Estados Unidos, transferir essas informações para um template e “escrever” em questão de segundos uma matéria com todas as informações necessárias sobre algum terremoto.

Por esses motivos, surgiu uma nova forma de fazer jornalismo, chamada de Slow Journalism, ou Jornalismo Lento. A intenção é que as notícias sejam levadas a sério e se aprofundem em um assunto, mesmo depois da agenda jornalística já ter esquecido o fato. The Slow Journalism Company, dona da primeira revista de jornalismo lento do mundo, a Delayed Gratification, reafirma a necessidade desse movimento. Para eles, é importante contar como as histórias terminam, não só como elas começam. Contá-las de forma detalhada, não importando o tempo que isso leve.

Com essa necessidade atual de rapidez em todos os aspectos da nossa vida e o medo de algoritmos tomando o lugar de jornalistas, podemos, ao menos, admirar a coragem desse movimento de tentar trazer para o jornalismo os ideais que foram pensados em sua origem, o objetivo de levar informação para o povo, e o desejo de manter a qualidade dessas informações.

Referências:

WALKER, Alissa. Quakebot: An algorithm that writes the news about earthquakes. Disponível em: <http://gizmodo.com/quakebot-an-algorithm-that-writes-the-news-about-earth-1547182732>. Acesso em  04 de outubro de 2016.

Jornalismo e Internet das Coisas: Google Glass, Drone e Smartphone

Atualmente, fala-se muito de que a internet é o novo meio revolucionário das comunicações. Ao longo de sua evolução, desde os anos de 1990 para cá, nota-se que seu campo de atuação está em tudo o que é (ou pode ser) automatizado. Carros que avisam a hora de fazer a revisão, relógios que marcam os passos dados e as calorias perdidas, já não são coisas fora da nossa realidade.

É sobre isso que a teoria da “Internet das Coisas” (IoT), irá tratar. Em seu texto “A internet das coisas”, Lemos traz a seguinte definição para o termo: “é uma  nova  configuração da rede internet,  na  qual  objetos (reais e virtuais, ou seja, concretos e digitalizados) trocam informações sem um usuário humano dirigindo  diretamente  o  processo”.

São redes conectadas por sistemas informacionais que aumentam o poder de comunicação das pessoas com os objetos e dos objetos com eles mesmos. Quando postamos uma foto em uma rede social ou mandamos um e-mail, por exemplo, é necessário primeiro um ação do usuário para que a foto seja postada e o e-mail enviado. No caso do carro, ele avisa sozinho a hora da revisão, sem precisar da ação do motorista.

Segundo Lemos, é como se os objetos de fato ganhassem vida própria. Eles falam, tomam decisões, resolvem problemas e se adaptam ao seu entorno. Ele irá destacar, entretanto, que o desafio será não pensar nas funcionalidades desses objetos tecnológicos, mas sim pensar sobre os efeitos que eles irão produzir na sociedade.

Sobre isso, Lucas Carvalho, do Portal Imprensa, faz a seguinte afirmação:

O conceito de “internet das coisas” define a conectividade das pessoas com a internet 24 horas por dia, através dos mais diferentes gadgets. Essa tendência também pode mudar o fluxo e a velocidade com que a informação é transmitida num futuro próximo.

A ânsia de se estar conectado e saber de tudo, o fato de hoje não mais “acessarmos a internet”, porque ela esta em tudo, já representam consideráveis mudanças no comportamento social. Abaixo iremos discutir os impactos trazidos pela IoT no jornalismo digital.

Jornalismo e IoT

Dentro do jornalismo, e mais especificamente do jornalismo digital, a IoT já é popularizada e cotidiana. Uma reportagem divulgada no site da revista Super Interessante, em junho de 2010, mostra os primeiros sinais de intervenção da IoT nos veículos de comunicação.

A matéria foca em dois formatos específicos: o QR Code e das Etiquetas RFID. Muito usado por revistas e também pela publicidade, o QR Code é uma espécie de etiqueta com um código de barras, na qual o leitor pode aproximar a câmera do celular que irá escanear o código, levando o leitor a uma nova informação sobre aquela matéria.

As Etiquetas RFID (Radio-Frequency IDentification ou, em português, “Identificação por Radiofrequência”), funcionam de forma parecida, só que através da frequência do rádio.

Outro exemplo interessante é o do aplicativo para trânsito Waze. Além de funcionar como um GPS, ele também oferece rotas alternativas, mostra onde estão as blitzs, os locais engarrafados, com buracos, acidentes, radares de velocidade e até os semáforos. Todas as informações vêm a partir da atualização dos próprios usuários. O Waze se mostrou tão eficiente que, agora, é a mais nova fonte dos telejornais e portais de notícias para falar sobre o trânsito. Não é incomum lermos notas no início da manhã, onde se diz, “segundo usuários do aplicativo Waze…”, ou ver nos telejornais a tela do aplicativo sendo projetada em grande escala no estúdio da TV.

Em agosto de 2013, a Folha de S. Paulo utilizou o Google Glass, óculos que captam imagens e envia a um smartphone que retransmite o sinal de vídeo para a internet através de uma rede de celular. A Folha transmitiu as imagens das manifestações em São Paulo ao vivo. Além do Google Glass, imagens de um smartphone instalado em um drone, veículo aéreo não tripulado, também foram utilizados pelo jornal. O Brasil não foi o primeiro a utilizar o óculos para cobrir matérias jornalísticas, o site americano Vice já havia utilizado para cobrir fatos da Turquia. Em 2014, o jornalista do site Business Insider, Kyle Russel, estava cobrindo uma manifestação contra o Google utilizando um Google Glass. Uma manifestante arrancou o óculos de Russel e pisou. Confira o protesto de agosto de 2013 em São Paulo do ponto de vista do Google Glass e do drone:

A influência das novas tecnologias é tão grande e ganha um alcance tão importante que alunos de jornalistas da Universidade do Missouri e da Universidade de Nebraska nos Estados Unidos, passaram a dar aulas sobre como utilizar os drones para produzir reportagens. De acordo com a revista Galileu, os alunos monitoravam e vigiavam as queimadas e observavam o nível da água dos rios com os veículos aéreos não tripulados. Além de saber como utilizar o aparelho no jornalismo, os alunos aprendiam sobre como funciona a Administração Federal de Aviação (FAA), além das questões de regulamentação, privacidade e ética que envolvem o uso do drone. Confira imagens do drone:

Mas não precisa ir muito além para saber da influência das IoTs no jornalismo. É só pensar que, há alguns anos, apenas existiam câmeras analógicas e não existiam celulares para fazer a comunicação dos jornais. O processo de produção de uma matéria demorava muito mais tempo do que atualmente, que qualquer pessoa a qualquer lugar pode escrever uma matéria, tirar uma foto e enviar para o jornal de onde estiver – se a internet estiver funcionando e tiver energia. As IoTs revolucionaram – e revolucionam – a forma de produção do jornalismo diariamente. Além de auxiliar na agilidade, o conteúdo jornalístico se aprimora e cada vez mais faz com que os jornalistas tenham acesso a mais detalhes dos fatos e, dessa forma, proporcionem uma matéria mais completa aos leitores.

Referências:

Exame, Tecnologia. Disponível em: <https://www.google.com.br/amp/amp.exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/folha-usa-google-glass-para-transmitir-manifestacoes-ao-vivo?client=ms-android-samsung> Acesso em 21 de outubro de 2016

Galileu, Common. Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI331897-17770,00-ALUNOS+DE+JORNALISMO+TEM+AULAS+COM+DRONES.html>

Lemos, A. Internet das coisas (cap. 6). In: _____. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013

Portal Imprensa, Notícias. Disponível em: <http://www.portalimprensa.com.br/noticias/ultimas_noticias/65021/novas+tecnologias+prometem+grandes+mudancas+na+imprensa+dizem+jornalistas> Acesso em 21 de outubro de 2016

Terra, Tecnologia. Disponível em <https://www.google.com.br/amp/s/tecnologia.terra.com.br/amp/eua-reporter-e-atacado-ao-usar-google-glass-em-manifestacao,bc79d3225b065410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html?client=ms-android-samsung> Acesso em 21 de outubro de 2016

A Teoria Ator-Jornalismo-Rede

A Teoria Ator-Rede é um estudo sociológico que sugere que “o social é formado a partir das associações e o objetivo é revelar as redes que se formam a cada momento” (LEMOS; PASTOR, 2014). O social está sempre reassociando, reagrupando, reincorporando e reafiliando. Desta forma, todo objeto é entendido como insolúvel, como “ator-rede”. A TAR, como é chamada, objetivava entender e explicar o nascimento dos fatos científicos.

A TAR nos traz a ideia de associar, e traduzir através da sociologia. É sobre o que tange seres e coisas e as formas como se relacionam. Nesta teoria, o ator sustenta-se pelo papel desempenhado por ele,é determinado pelo efeito que produz na rede, por quão ativo ele é, e pelo quanto ele repercute. Ele não é só representado pela figura humana. Pode ser animal ou objeto. A rede, por outro lado, são todas as conexões e interligações que envolvem os atores.

Esta teoria sociológica foca na ideia de que os atores estão em constante ligação com uma rede social de elementos imateriais e materiais. Nela, os atores humanos e não humanos (como computadores e tablets, muito presentes na vida de jornalistas digitais) estão sempre interferindo e influenciando o comportamento um do outro. As associações sociais são bastante híbridas, não havendo uma separação clara entre suas peças.

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Nessa teoria, existe o primeiro agente, o ator. O ator é definido a partir do papel que desempenha, do quão ativo, repercussivo, e qual o efeito que ele produz em sua rede. No caso do jornalismo digital, e o jornalismo em si, o ator dessa relação seria o jornalista. Até mesmo o jornalismo pode ser considerado o ator, em um contexto mais abrangente, já que de fato é o jornalismo que produz, através do jornalista, um efeito na rede. O jornalista faz com que uma informação ou notícia seja representada através de textos ou de imagens, para atingir o seu público.

O ator e a rede estabelecem as suas conexões a partir das similaridades ou relações existentes entre eles. Um exemplo para exemplificar essa relação entre o ator e a rede é a de um enunciado científico. Ele irá circular entre os lugares que se interessam por ele, como laboratórios, e será modificado, refutado ou aceito segundo as crenças dos interessados. Os atores são os pesquisadores que desenvolveram o enunciado, e os laboratórios seriam a rede. Eles estão interligados pela similaridade, a relação, e o interesse sobre os mesmos. Eles agem mutuamente, interferem e influenciam o comportamento um do outro, e com o tempo, para que sejam aceitos, os enunciados científicos terão que ser cada vez mais precisos e verificados. Com o jornalismo funciona da mesma forma. A tradução da informação para ser representada é constantemente criticada e modificada, para que continue sendo aceita. O jornalista tem um papel muito ativo e importante sobre essa rede, e é modificado juntamente com o seu produto.

Sem rede não há jornalismo digital. A rede é fundamental para a formação da relação entre objetos. Pensando no contexto internet, ela traz duas dimensões enquanto rede: uma voltada para a infraestrutura – a ideia de “espaço” -, criando uma possível emancipação (1). A outra dimensão é a rede como associação de humanos e não humanos, deixando rastros, ou seja, o que se atualiza (2). Isso permite que o jornalista, em especial o digital, possa ser revolucionário em um contexto e não ser em outro, já que a notícia postada em um veículo online, por exemplo, é uma associação específica produzida em um espaço determinado.

A ideia de rede enquanto o fazer social não é de todo certa. O raciocínio mais coerente é de que são as diversas associações, que compõem o social, criam as redes entre seus elementos. Por isso, observar o social é elaborar as associações, as redes. Segundo Lemos (2014), os objetos humanos e não humanos, “compõem as redes e são eles mesmos redes, mônadas, partes e todo ao mesmo tempo”.

Voltando para a afirmação logo acima: sem rede não há jornalismo digital porque o jornalismo é alimentado de associações, principalmente humanas. O jornalismo digital, por sua vez, existe porque há um espaço – infraestrutura – que permite seu formato.

___

Lemos, A.; Pastor, Leonardo . Internet das coisas, automatismo e fotografia: uma análise pela Teoria Ator-Rede. Revista FAMECOS (Online), v. 21, p. 1016-1040, 2014.

Jornalismo digital: a nova forma de se fazer jornalismo na era pós-massiva

Mobilidade e jornalismo são indissociáveis. E isso nada tem a ver com qo surgimento da internet, com redes sociais e mídias digitais. O jornalismo, desde o seu primórdio, sempre esteve associado a mobilidade de informações, promovendo “fluxo, troca, deslocamento, desenraizamento e desterritorializações” (LEMOS, André. 2007).

A tríade jornal impresso, televisão e rádio irá constituir o que Lemos (2007), irá chamar de mídias de função massiva, nas quais o sujeito pode escolher como e que tipo de informação recebe, mas não há possibilidade de diálogo, nem de emissão e circulação da informação.

Com o surgimento das redes telemáticas no final do século passado, começou um processo de hegemonia dessas redes que, encontra agora, o seu ápice. Em seu texto “Cidade e mobilidade. Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais”, Lemos irá definir as mídias digitais, redes sociais e demais elementos que compõem as redes telemáticas, como meios de função pós-massiva, nos quais “qualquer um pode produzir informação, liberando o pólo da emissão, sem necessariamente haver empresas e conglomerados econômicos por trás”.

O celular e a tecnologia móvel também mudou o jornalismo e, através disso, a forma com que as pessoas vêem a cidade. Com notícias cada vez mais atuais e coberturas em tempo real, a forma de fazer jornalismo ficou cada vez mais imediata através da inserção da tecnologia móvel e da criação do jornalismo digital. A compreensão da cidade, a partir disso, se tornou outra. Informações importantes e que precisam ser imediatas passaram a ser encontradas facilmente nos sites e aplicativos. O jornalismo se tornou imediato e a informação sobre a cidade também.

O jornalismo irá se integrar a essas redes através do jornalismo digital, ou seja, o leitor poderá assinar o jornal e ter acesso a ele através da internet, podendo lê-lo em qualquer lugar, sem precisar andar por aí com o jornal debaixo do braço.

Os jornais também desenvolveram sites onde algumas notícias podem ser vistas de maneira gratuita: como é o caso com correio24horas.com.br, atarde.uol.com.br, folha.uol.com.br e estadao.com.br. Isso sem falar nos portais de notícia que são exclusivamente online como o Bahia Notícias e Bocão News.

Tanto para os sites de jornais impressos, como para os portais online, as redes sociais e as versões mobile se provam como um fator decisivo para o aumento do número de acessos. Uma recente pesquisa feita pelo Correio, mostrou que 51% dos acessos ao site chegam através de redes sociais, sendo boa parte acessados pelo celular. A pesquisa ainda mostrou que, desses 51%, 20% dos acessos vem via Whats App.

Outro exemplo do uso das redes e das versões mobile é o jornal Estadão. Eles enviam para os leitores cadastrados três boletins de notícia por dia, via Whats App, um pela manhã, outro ao meio dia, e mais um a noite. Esse é um serviço gratuito. Nos dias com notícias de grande repercussão, como o recente impeachment no Brasil ou os inúmeros atentados na Europa, os leitores ainda recebem um boletim a mais sobre esta notícia.

Hoje, mídias massivas e pós-massivas convivem no mesmo espaço e, de acordo com Lemos, suas funções vão se interligar. Voltando aos exemplos dos sites de jornais que falamos acima, os portais online dos jornais Correio*, A Tarde, Folha de S. Paulo e Estadão desempenham funções massivas, afinal nada mais são do que suas versões impressas transmitidas para uma rede telemática.

Dessa mesma forma, a TV a cabo, rádios comunitárias e fanzines exercem funções pós massivas, voltados para um nicho específico. Em seu texto, Lemos afirma que,

(…) a internet é uma ambiente midiático onde existem funções massivas (a TV pela Web, os grandes portais ou máquinas de busca) e pós-massivas (blogs, wikis, podcasts). A TV tem funções de massa (TV aberta) e pós-massiva, ou de nicho (como os canais pagos).

 

Redes móveis x Cidade

O uso de meios móveis para acessar a internet e a criação de tecnologias sem fio fez com que a necessidade de estar “preso” a lugares passasse a não ser mais obrigatório no acesso a internet- apesar da necessidade de carregar o aparelho, em que já se foi criado a alternativa de carregadores portáteis. Essa nova forma de se conectar, de acordo com Lemos, “permite uma forma diferente de compreender, dar sentido e criar vivência no espaço das cidades contemporâneas”. Os aparelhos móveis, como celulares, tablets, laptops, passam a redefinir os espaços urbanos. Um exemplo claro dessa mudança é o novo jogo Pokemon Go, que redefiniu a cidade ao, através da realidade virtual, fazer com que os jogadores tivessem que transpassar por ela para capturar pokemons e ressignificar pontos específicos da cidade, através dos “pokestops” e “ginásios” que foram colocados até em lugares inusitados, como igrejas.

A nova forma de utilizar o telefone, que era fixo, modificou a forma com que muitas pessoas – que tem a possibilidade de utilizar o celular nas ruas – andam, vivem e vêem a cidade. Um exemplo prático é a “via para quem não larga o celular” que foi criada na China em 2014. São calçadas que têm faixas exclusivas para pedestres que estão interagindo com seus smartphones.

http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2014/09/cidade-chinesa-cria-faixa-exclusiva-para-quem-caminha-usando-celular.html

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Um outro exemplo é a forma com que a rede wi-fi influencia as pessoas na hora de escolher o destino. Ao escolher o local para sair, algumas pessoas costumam dar preferência a lugares que possuam wi-fi.

A presença da rede acaba modificando a vivência do local, assim como ocorre em cafés, aulas, bares etc. O café se tornou um local para trabalhar, as aulas puderam ficar mais interativas – o que tem uma linha tênue com o uso para “fugir” da aula -, os bares ficaram com menos interações. A questão da preferência pelo wi-fi acaba ficando mais explícita em viagens. Existem pessoas que trabalham com internet e que, por conta disso, não podem se distanciar tanto de uma rede wi-fi – mesmo em viagens. Ir para Fernando de Noronha, por exemplo, pode se tornar um pesadelo para eles, tendo em vista que só em determinados pontos da ilha se tem acesso a internet e muita das vezes nem mesmo o 3G/4G pegam.  Dessa forma, o wi-fi acaba mudando a forma como convivemos e nos relacionamos com a cidade.
http://www.nit.pt/article/07-19-2016-estudo-os-portugueses-adoram-hoteis-com-boas-ligacoes-wifi

Bibliografia:

Lemos, A. Cidade e mobilidade. Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais. MATRIZes, v. 1, n. 1, 2007. Disponível em:http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/Media1AndreLemos.pdf

Os dois lados da vigilância no jornalismo

A vigilância e a produção da notícia sob medida

O atual público do jornalismo é mais autônomo. Enquanto antigamente esse público tinha que adequar sua rotina para o consumo das notícias, atualmente eles nem ao menos dependem de um veículo específico para se informar. Por esse motivo, as empresas de comunicação estudam formas de inovação online para que o número de seus leitores aumente cada vez mais, e para que haja uma maior fidelização à este veículo.

Para que ocorra o estudo do seu público e, com isso, o desenvolvimento de um produto que seja de seu interesse, inúmeras corporações coletam e categorizam os rastros que deixamos na web – que são vestígios de uma ação efetuada através de sites, aplicativos, e até nas pesquisas e cliques online – , constituindo os perfis com nossos interesses, hábitos e opiniões, sendo fonte valiosa de pesquisa nas ciências humanas e sociais. “Além do marketing e da publicidade direcionada, o monitoramento de rastros pessoais na internet é de interesse comum a diferentes domínios: segurança, entretenimento, saúde […]”, como afirma a professora de Comunicação e Cultura, Fernanda Bruno. O jornalismo também se apropriou dessa prática numa tentativa de “escrever aquilo que o povo quer saber”.

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Com o desenvolvimento dessa técnica de profiling e de mineração de dados disponíveis nesse rastro pessoal digital, a professora ainda afirma que pode ocorrer o desenvolvimento das ciências humanas. De acordo com ela,

Os autores apontam […] ao menos duas grandes oportunidades para as ciências humanas e sociais. A primeira concerne a um ganho quantitativo. Estas ciências contam hoje com uma rica e inédita fonte de dados, outrora de difícil acesso. Mas não se trata apenas de um maior volume de dados disponíveis, mas da possibilidade de renovar a leitura mesma dos processos sociais.

A ideia seria pensar nessa coleta de dados para um estudo sociológico, e também de interesses. Descobrir do que o público gosta é a melhor forma de mantê-lo fidelizado, já que a partir desse estudo já é possível produzir um conteúdo que seja de seu agrado.

Quem sabe por que as pessoas fazem o que fazem? O ponto é que eles fazem isso, e podemos acompanhar e medir com fidelidade sem precedentes. Com dados suficientes, os números falam por si.

A análise dessa “linguagem corporal online” é capaz de definir nossos interesses, logo, é uma das técnicas utilizadas pelo jornalismo digital para analisar quais são as notícias que se tornam mais populares nos seus veículos, por qual motivo, e em qual determinado público.

Mas não é preciso se aprofundar tanto nesses dados para descobrir o que é mais valorizado em um site de notícias. Analisando a quantidade de comentários, curtidas, e, principalmente, de cliques, já é possível desenhar um perfil dos leitores de um veículo, e quais seriam as notícias que eles têm interesse em saber.

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Porém, as particularidades desses rastros digitais não devem ser entendidas como características exclusivas para a análise de um público para a produção sob medida de notícias no meio digital. Claro que com o desenvolvimento da tecnologia e a maior popularização do jornalismo online esses perfis do público se tornaram muito mais fáceis de serem traçados, mas essa análise já acontecia no jornalismo impresso. O que mudou foi o veículo, a forma e a intensificação.

Falta privacidade na vigilância

A relação jornalismo – vigilância também afeta de forma negativa o digital.  O relatório intitutuladoWith Liberty to Monitor All: How Large Scale US Surveillance is Harming Journalism, Law, and American Democracy(Com liberdade para monitorar tudo: Como a vigilância em larga escala nos Estados Unidos está prejudicando o jornalismo, a lei e a democracia norte-americana)”, que foca na disseminação de informações sobre as atividades do governo, foi divulgado pelas entidades norte americanas Human Rights Watch e a American Civil Liberties Union (ACLU) e aponta que os jornalistas entrevistados estão percebendo que a vigilância está prejudicando sua capacidade de noticiar assuntos de grande interesse público.

Com o aumento no monitoramento, o receio por vazamento de informações e a possível repressão por parte do governo têm intimidado as fontes, que se tornam mais resistentes em discutir questões de interesse público, mesmo quando os assuntos não são de natureza confidencial.  Ainda no relatório, muitos jornalistas explicaram que estão adotando medidas complexas em meio a um ambiente de grande incerteza, com o objetivo de esconder vestígios de sua interação com os entrevistados. Entre as técnicas, está o uso de criptografia e de computadores isolados de redes não seguras, como a internet. Se comunicar com as fontes usando telefones descartáveis também é um dos artifícios utilizados. Como nem tudo são flores, estes métodos costumam atrasar os repórteres na busca por entrevistados, que por sua vez, estão cada vez mais reticentes em colaborar, diminuindo a quantidade de informações obtidas.

O relatório conclui afirmando que os jornalistas têm manifestado preocupação de que, em lugar de serem tratados como fiscais da atuação governamental e facilitadores de um debate democrático saudável, sejam vistos como suspeitos por desempenharem seu papel.

De um modo geral, muitas pessoas têm trabalhado para diminuir a oscilação entre a privacidade e o panóptico citado por Focault (2013), promovendo o desenvolvimento de ferramentas contra a vigilância e recomendações para os jornalistas.

Trazendo a discussão para o Brasil, o Estadão é o primeiro exemplo. O jornal lançou uma campanha que lista os 10 acontecimentos de maior relevância na política nos últimos tempos. O lettering ressalta a máxima da campanha, “bom jornalismo é vigilância”, com a intenção de passar a mensagem de que não importa quem esteja no poder, a imprensa buscará as informações. O veículo, no entanto, faz questão de ressaltar o uso da criptografia e o anonimato de todas as fontes colaboradoras do especial.

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Capa do Jornal Estadão em comemoração do especial

Bibliografia:

Bruno, F.. Rastrear, classificar, performar. Ciência e Cultura, v. 68, p. 34-39, 2016. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v68n1/v68n1a12.pdf>
Bruno, F. Rastros digitais sob a perspectiva da teoria ator-rede. Revista
Famecos, v. 19, n. 3,p. 681, 2012. Disponível em <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article
Deleuze, G. Post-Scriptum sobre as sociedades de controle. In:_____. Conversações: 1972
-1990, Editora 34, pp. 219-226, 1992. Disponível em: <http://www.port

Jornalismo e vigilância: o uso das novas tecnologias na produção de notícias

Um dos conceitos mais difundidos no estudo da Comunicação é o de que a imprensa deve exercer o papel de “Watchdog”, o cão de guarda da sociedade, sendo uma instituição que vigie a máquina pública. O instinto protetor dos cães com seus donos tornam-os importantes defensores; o jornalista, da mesma forma, deveria ser o verdadeiro cão de guarda da sociedade, perante as injustiças, corrupção e escândalos. Com o avanço das tecnologias, a cobertura do jornalismo se reconfigura, passando a utilizar diversos registros captados com câmeras de vigilância, câmeras, celulares, tablets, entre outros. Os “flagrantes” são cada vez mais frequentes no jornalismo. Para Foucault (2013) “O que se compreende por vigilância envolve o mecanismo fundamentado em um princípio de visibilidade, no qual se propaga um olhar que visa disciplinar o indivíduo por meio do monitoramento sistemático”.

Foucault, em “Vigiar e Punir”, fala sobre a sociedade disciplinar, estabelecida na época da peste. Havia um cuidado extremamente rígido para que a doença não se instalasse na comunidade, o que fazia com que todos vivessem em um eterno estado de vigilância. Era necessário ter disciplina para falar com o síndico e entregá-lo a chave na hora certa, assim como para fechar todas as portas, janelas e tapar buracos que existem, de forma que não houvesse, ou ao menos diminuísse, a chance de se contaminar. Para ele, “a vigilância opera na alimentação das formas de poder disciplinar, de modo a assegurar a dominação de certos grupos e excluir o acesso de outros ao poder”.

Como Deleuze diz, “encontramo-nos numa crise generalizada de todos os meios de confinamento, prisão, hospital, fábrica, escola, família”. Trata-se da sociedade disciplinar sendo substituída pela sociedade de controle. Foucault reconhecesse o controle como nosso futuro próximo. Segundo Deleuze, “nas sociedades de disciplina não se parava de recomeçar (da escola à caserna, da caserna à fábrica), enquanto nas sociedades de controle nunca se termina nada, a empresa, a formação, o serviço sendo os estados metaestáveis e coexistentes de uma mesma modulação, como que de um deformador universal”. Essa questão do controle assemelha-se ao conceito de “Watchdog”, que de certa forma controla o que deve ser protegido da sociedade ou não.

Jeremy Bentham, filósofo inglês do século XVIII, desenvolveu um sistema (através de um projeto de arquitetura) de observação aos detentos, de forma a garantir o comportamento adequado dos mesmos. Tal sistema é conhecido em muitos ramos do conhecimento, incluindo a psicologia, que que comprova que as pessoas se auto vigiam para não ter comportamentos “suspeitos” ou “exagerados” quando se submetem a alguma observação. é o que observamos hoje com câmeras em supermercados, por exemplo. Estão ali para vigiar e inibir as pessoas de roubarem algum produto. A teoria “watchdog” trata exatamente sobre isso. O jornalismo como panóptico do interesse público, sempre vigiando o que está acontecendo para informar a sociedade.

Através da inserção dos smartphones na vida cotidiana, a vigilância passou a ter uma ideia de onipresente e onisciente na vida diária; a forma de ver e de ser visto se tornou mais complexa com a emergência dessas novas tecnologias. A naturalização das câmeras de segurança e dos celulares a todo o tempo prontos para capturar uma cena, acaba normalizando o flagra. Esta onipresença faz com que a vigia seja ainda mais constante e em momentos completamente inesperados. Tudo pode acabar na internet, em algum site de jornal.

 

Caso Ryan Lochte

Um caso famoso recente foi o de Ryan Lochte e três outros atletas que haviam afirmado para a polícia que tinham sido assaltados por policiais disfarçados. O caso começou a ser questionado após câmeras de seguranças captarem os atletas chegando na vila olímpica com todos os bens que eles afirmaram ter sido roubado. A farsa ficou comprovada após um vídeo da câmera de vigilância do posto ser revelado. Os atletas só assumiram que haviam brigado em um posto de gasolina (entenda o caso aqui) após a divulgação das imagens.

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 Nadadores chegam na vila com bens

 

Chelsea Manning e Snowden

Um caso bastante conhecido foi o do soldado Bradley Manning (hoje Chelsea Manning), que vazou documentos secretos ao WikiLeaks. Além de 700 mil arquivos secretos do governo dos Estados Unidos, Chelsea vazou comunicações diplomáticas e vídeos de confrontos (entenda aqui). Um vídeo de um helicóptero na Guerra do Iraque mostrava soldados dos EUA matando civis iraquianos e dois jornalistas da Reuters que chocou de uma forma mais forte a sociedade. Outro caso bastante importante foi o de Edward Snowden (entenda aqui), que era agente da CIA e prestador de serviços para a NSA, e vazou documentos ultrasecretos de espionagem dos EUA. A jornalista Glenn Greenwald, jornalista do caso e a Laura Poitras, documentarista envolvida no caso foram taxadas de terroristas após divulgar os documentos que eram considerados confidenciais. O caso coloca um alerta sobre a vigilância e o papel do Estado. Até que ponto é papel do jornalista divulgar? A jornalista errou em fazer a matéria?

O livro de George Orwell, 1984, traz a discussão sobre vigilância. Winston Smith, que vive em um sistema ditatorial, trabalha no Ministério da Verdade, tem a função de falsificar documentos. Ele a todo o momento pensa que o mundo poderia ser melhor se o povo se rebelasse contra o Partido. Por ser um regime ditatorial, Winston não pode compartilhar seus pensamentos. Na história, o Estado (Partido) utiliza a teletela, tipo de televisões que permitem ver e ser visto, e que controlam e vigiam as pessoas. Pode-se fazer uma analogia com o caso de Winston Smith com o de Snowden, que apesar de não viver em um regime ditatorial, tinha informações confidenciais do governo vigente e não concordava com algumas atitudes (espionagem irregular) do governo.

 

REFERÊNCIAS

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2013

Orwell, G. 1984. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. (capítulo 1)

Foucault, M. O panoptismo. In: _____. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópoles: Vozes, p. 186 – 214, 2009. (Terceira parte: Capítulo III)

Deleuze, G. Post – Scriptum sobre as sociedades de controle. In: _____. Conversações: 1972 – 1990, Editora 34, pp. 219 – 226, 1992.

Ciberjornalismo: o jornalismo digital na era do ciberativismo e hacktivismo

Historicamente, início de século sempre é um período de tensões e conflitos que levam a profundas mudanças nas sociedades. Em menos de vinte anos, guerras acabaram, guerras começaram, regimes caíram e atentados mataram milhões de pessoas. Tudo isso ocupa boa parte dos noticiários; seja na TV, no impresso, no rádio ou na internet.

Há pouco mais de 100 anos, Euclydes da Cunha foi cobrir a Guerra de Canudos e mandava seus textos via cartas, que era o meio de comunicação mais rápido e comum na época. A matéria era publicada no mínimo três dias após o fato ter ocorrido. Na era digital, é quase impossível imaginar esta situação. Dentro do jornalismo, a transmissão instantânea dos fatos, e a rapidez do fluxo comunicacional entre o repórter e a equipe da redação, são fatores cruciais para uma boa cobertura.

Se um repórter da F. de São Paulo, por exemplo, esta cobrindo a guerra da Síria, ele tem a possibilidade de mandar um Whats App para o editor chefe e discutir a pauta com ele. Da Síria, ele pode escrever seu texto e postar na mesma hora no site do jornal. Depois, ele ainda pode abrir a página do Facebook da F. de São Paulo e postar o vídeo de um bombardeio que ele acabou de gravar.

A cobertura de eventos como este, entretanto, não é exclusiva a jornalistas. Qualquer pessoa com um smartphone e acesso a internet consegue tirar uma foto ou gravar um vídeo e joga-lo na rede para todo mundo ver.

No texto Things (and people) are the tools of revolution (LEMOS, André. 2011), o autor faz uma análise sobre como as redes sociais contribuíram para as ondas revolucionárias que ocorreram no norte da África e Oriente Médio, em 2011. A chamada Primavera Árabe. O texto não aborda a atuação de jornalistas, mas sim a forma como as pessoas se utilizaram de redes como Facebook, Twitter e blogs para disseminar os ideários da revolução e levar milhões às ruas.

Muitos irão defender a ideia de que as redes fizeram a revolução, ou seja, que elas tem esse caráter revolucionário e, sem redes sociais, as pessoas não teriam ido às ruas. Outros irão dizer que as pessoas são os agentes da ação, e que a internet foi apenas uma ferramenta, um meio.

De fato, outras revoluções ocorreram no mundo sem redes sociais, porém, será que a Primavera Árabe teria sido como foi, e teria tido a repercussão que teve sem essas redes?

Lemos defende a não polarização entre os sujeitos. Não foram nem só as pessoas e nem só a internet. Foram ambas. “Facebook, Twitter, blogs, telefones celulares (…) fizeram as revoluções ao entrarem em  associação com  outros “actantes” [atores] (pessoas, discursos, dados sociais)”.

O trabalho dos jornalistas também é formado por essa associação. Em outras épocas, cartas e máquinas de escrever nos ajudaram (como no exemplo de Euclydes da Cunha). Agora, a internet é o novo meio. Não deixaríamos de fazer as coberturas sem ela, mas, sem dúvida, seria bem diferente. Lemos traz essa comparação não apenas com as redes sociais, mas também com outros atores (humanos e não humanos) que constituem a profissão de jornalista.

Não  seria a ação do “jornalismo” fruto de  um  conjunto de  associações entre actantes humanos e  não­ humanos, sem  que  haja a  priori um que seja o sujeito da “ação”, outro a “ferramenta” e um  outro o  “meio”? Como  agiria o  “jornalismo” sem  os editores, os repórteres, as agências de notícias, as indústrias culturais, os professores e escolas de comunicação, as empresas publicitárias, os distribuidores, o jornaleiro, o papel jornal, a banca de jornal, os computadores, os telefones, o celular,  o  fax  e…  a  internet e  suas expressões como o  Twitter  e  a  Web?

Para o autor não é necessário a divisão entre atores responsáveis pela ação, aqueles que são as ferramentas e os que são os meios. Tudo irá depender do contexto em que se está inserido. Facebook pode ser um espaço para postar selfies, como também um espaço para mobilizar milhões de pessoas a derrubarem um governo ditador.  

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Jornalismo hacker

O jornalismo é a principal ligação comunicacional entre o governo e o povo. Uma significativa parcela da sociedade considera verdade absoluta tudo o que ele noticia. Vivemos a era em que os homens, além de controlar as máquinas,  passaram a ser também, conteúdo que elas abrigam. É impossível que o nosso cérebro acumule todas as informações do nosso dia-a-dia, então vivemos procuramos os HDs externos, armazenagem em nuvem, compartilhamento via internet e todas as possibilidades do computador ou sistemas básicos de gerenciamento de conteúdo online.

A popularização da informação, responsável por emancipar o conhecimento, e a ruptura total da propriedade intelectual, anonimato e privacidade, marcam uma relação paralela entre a memória histórica da civilização e a intenet. Basta estar conectado para ser monitorado. Logo, o maior desafio, tanto para civis quanto para o governo, é tentar manter em sigilo informações confidenciais. Quem controla a internet tem o registro da humanidade em mãos. Uma pessoa do outro lado do mundo poderá ter acesso às informações pessoais de cada um que navega na rede e grande parte dessas informações vai parar em bancos de dados.

O hacktivismo contribui para o jornalismo desde a busca da informação, até a necessidade de difundir estes dados. Além de promover a democratização política, estas ações mudam a mídia, estruturalmente falando, uma vez que blogs, páginas em redes sociais e outros subprodutos do jornalismo digital detenham acesso aos mesmos documentos que os veículos tradicionais de notícia.  Por isso o envio de conteúdo da internet para a televisão, rádio e jornal é tão importante.

Em “A política na Time Line”, Wilson Gomes discorre acerca das discussões sobre o espaço da rede, a definindo como “arena, não meios” (GOMES, W. 2014, p.18). Gomes continua dizendo que mesmo opiniões, interpretações e informações geradas por outros sistemas de produção de conteúdo, como o jornalismo impresso ou a televisão, não circulam pelas redes sociais digitais como se estas fossem apenas meios de coleta e distribuição, entre produtores e consumidores, neutros e indiferentes aos conteúdos que neles trafegam.

A Internet chegou para ficar. Não é uma moda passageira e não haverá retrocesso. Jamais os usuários de e-mail voltarão a escrever cartas e deslocar-se até o correio para postá- las (FERRARI 2003, p.21)

O jornalismo considera a web “como uma nova mídia, que, definitivamente, não substituirá as outras, mas terá o papel de integrar todas em uma só, sem perder a identidade” (MOURA 2002, p.49). Pierre Levy diz que “quando o digital comunica e coloca em um ciclo de retroalimentação processos físicos, econômicos ou industriais anteriormente estanques, suas implicações culturais e sociais devem ser reavaliadas sempre” (LÉVY, 1999, p.25).

Sendo assim, o amplo uso destas conexões comunicacionais devem ser estudadas com o intuito de conceituar e prever as consequências em sociedade deste jornalismo emergente de agora.

 

Bibliografia:

AMADEU, S. Ciberativismo, cultura hacker e o individualismo colaborativo. Revista USP, n.86,p. 28-39, 2010. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13811/15629>.
FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. Editora Contexto, 2003.
GOMES, W. A política na time line. Bahia: Edufba, 2014. 329 p.
LEMOS, A. Things (and People) are the Tools of the Revolution. Disponível em: <https://politics.org.br/edicoes/things-and-people-are-tools-revolution>.
LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.
MOURA, Leonardo. Como escrever na rede: manual de conteúdo e redação para internet. Rio de Janeiro: Record, 2002.

 

“But first, let me take a selfie”

Considerada a palavra internacional do ano de 2013 pelo Oxford English Dictionary, a palavra “selfie” representa uma foto tirada de uma pessoa, ou um grupo, e compartilhada na web. O inventor do selfie – ou autorretrato – foi um dos pioneiros da fotografia, Robert Cornelius, em 1839. Após a utilização do termo em um fórum online australiano, esta palavra só começou a ser utilizada de fato a partir de 2012 com a popularização nas redes sociais, se tornando comum nas plataformas principais, inclusive no meio jornalístico.

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“Selfie” capturada por Cornelius em 1839

O uso do termo aumentou 17.000% entre os anos de 2012 e 2013, e na época, o jornal americano “USA Today” afirmou que a escolha capturava perfeitamente o momento de obsessão pelas mídias sociais. Independente de como sejam tiradas, o foco é o compartilhamento, para que o detentor da conta na rede social na qual a foto é publicada relate fatos cotidianos ou acontecimentos relevantes.

De acordo com, Luli Radfahrer,  professor e doutor de Comunicação Digital da ECA da USP

Até a década de 1990, a mídia de massa proporcionava uma fuga da realidade transportando leitores e telespectadores para um universo ficcional de sitcoms, novelas e séries. Depois os reality shows viraram a câmera e a atenção para o indivíduo banal em todo o esplendor de sua boçalidade. Mídias sociais democratizaram o voyeurismo antes reservado a celebridades, tornando-o acessível a todos, o tempo todo.

Ganhando uma dimensão jamais imaginada antes da era das redes digitais, os selfies são julgados como fotografias tiradas apenas para a divulgação do “eu”, sob a óptica da sociedade do entretenimento e do espetáculo, onde os indivíduos apenas “valem” a partir do momento em que se tornam visíveis, como definiu o escritor peruano Mario Vargas Llosa (2013). Mas será que, de fato, é só para isso que servem esses autorretratos?

Muitos desses selfies são tirados apenas para que ocorra uma “saída do anonimato”, como afirma Persichetti. Mas não necessariamente significa que uma notícia não possa estar associada à essa fotografia.

De acordo com a jornalista Simonetta Persichetti, “nascida no meio de uma filosofia positivista, a fotografia se encaixou muito bem na ideia do olhar frio e imparcial tão caro aos pensadores da época: ‘só acredito no que meu olho vê’ “. O selfie não passa longe disso. Além de recriar boa parte da vida cotidiana, ele também passa a ser responsável por dar concretude ao que estamos vendo, concretude essa tanto do imaginário de um sujeito inserido na sociedade ou cultura, ou num certo momento histórico. Essa imagem se torna essencial para a transmissão de certa informação, principalmente em um momento de imediatez de um fato.

Take a journalistic selfie

No jornalismo digital os selfies também viraram ferramenta de alimentação de conteúdo. Dentre as diversas notícias publicadas ao longo do dia nos veículos online, tem se tornado frequente casos em que o selfie virou o próprio tema de discussão.

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Selfie no Oscar de 2014, tema de diversas notícias veiculadas no ano

A exemplo disso foi a crítica e circulação online do selfie de Barack Obama durante o enterro do líder sul-africano Nelson Mandela, em 2013. O autorretrato foi tirado junto com os primeiros-ministros David Cameron, do Reino Unido e Helle Thorning Shmidt, da Dinamarca. Duramente criticado pela mídia mundial, o presidente norte-americano ainda deu brechas para criação de memes nas redes sociais, uma vez que a expressão de sua mulher, Michele Obama, era de alguém furiosa e com ciúmes.

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Selfie registrado no enterro do líder sul-africano

Obama se meteu ainda em outra confusão ao se deixar retratar ao lado do jogador de beisebol do Boston Red Sox, David Ortiz. Outro selfie com bastante repercussão foi o da atriz Ellen De Generes durante a entrega do Oscar. Na verdade, a foto foi feita pelo ator Bradley Cooper e reuniu várias estrelas de Hollywood. Depois do episódio, o Twitter relatou que foram mais de 500 milhões de posts por dia sobre o assunto. Não demorou muito para estar em diferentes plataformas de notícias.

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No Brasil, os selfies viram notícias desde a seção de holofotes até denúncias. Artistas já tiveram suas selfies publicadas para ilustrar notícias cujo a intenção era descrever o que estavam fazendo, com quem e aonde. Dentre outros casos de selfies que circularam no país, estão os de profissionais da saúde que aproveitaram de momentos delicados, como uma cirurgia de algum famoso, para fazer um autorretrato.

Por se tratar de um meio de fácil circulação e compartilhamento, o jornalismo digital é a plataforma mais dinâmica para essas publicações, por assim dizer. Um novo modelo de jornalismo onde a imediatez está presente no processo.

BIBLIOGRAFIA:

Persichetti,S. Dos elfos aos selfies. In: KUNSCH, Dimas; PERSICHETTI, Simonetta (Org). Comunicação: entretenimento e imagem. São Paulo: Editora Plêiade, 2013
Observatório da Imprensa. Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/e-noticias/_ed841_como_e_por_que_tirar_uma_selfie/&gt;. Acesso em 01 de setembro de 2016

UOL. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vyaestelar/fotografias_tipo_selfie.htm&gt;. Acesso em 02 de setembro de 2015Carta

Capital, sociedade. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-selfie-de-obama-e-o-jornalismo-apressado-1861.html&gt;. Acesso em 02 de setembro de 2016

 

A construção dos veículos na Internet

O dia começa, e você já quer saber das notícias. Dentre o vários meios de comunicação disponíveis, você escolhe aquele mais rápido e que estará mais acessível no momento, afinal você pode estar em qualquer lugar. Muito provavelmente, você irá escolher a internet. Dentro da internet, dificilmente você irá abrir um portal de notícias. Irá direto para alguma de suas redes sociais: Facebook, Instagram, Twitter ou qualquer outra. Lá, terá acesso não apenas às notícias divulgadas pelos portais, como também aos posts e comentários sobre o fato e, caso você realmente julgue relevante, irá compartilhar para que mais pessoas vejam. No meio disso, ainda dá para curtir aquela foto da viajem do seu amigo.

Essa é a forma como a maioria das pessoas se informa hoje. Dentro do jornalismo digital, as redes sociais funcionam como uma das principais ferramentas externas – fora do próprio site – na hora de disseminar as notícias e se aproximar do leitor. Em seu texto, Redes Sociais na Internet, Raquel Recueiro irá dizer que as redes sociais são formadas por atores (pessoas, instituições ou grupos que compõe a rede) e de conexões (a forma como os atores se relacionam dentro da rede). Nesse contexto, o jornal estará como um ator social que terá que se comunicar com outros atores sociais, no caso, seus leitores. Para isso, ele irá ganhar uma personalidade, que será construída desde a escolha das notícias que vão ser postadas, até a forma com o post é escrito.  

Segundo Recueiro (2009), as redes sociais são espaços de interação caracterizados por uma expressão pessoal. Perfil, é como são chamadas as contas criadas nessas redes, onde as pessoas fazem uma “construção de si” (SIBILIA, 2003 e 2004; LEMOS, 2002). Para estabelecer um diálogo direto com o leitor, os jornais não irão fugir a essa regra. Qualquer empresa que entra em uma rede social, precisa criar uma persona para vender seu produto (neste caso, a notícia). Se o leitor precisa se identificar com a linha editorial do jornal para consumir suas notícias, então também precisa se identificar com a forma que ele se comunica nas redes sociais.

Quem tem acesso diário aos posts dos jornais no Facebook e Twitter e nunca teve contato com gerenciamento de mídia, nem imagina toda uma estratégia que está por trás da construção  da arquitetura da página. Com a análise de seu público-alvo, hábitos de consumos específicos desse público e todas as possíveis variáveis que influenciarão na forma de consumir dessas pessoas, a identidade visual e escrita das instituições vão tomando forma. Com o jornalismo digital, o “social media” nasceu. É esse profissional que irá manter a identidade da página, programando as postagens do Facebook, seguindo o “editorial” do veículo e, principalmente, acompanhando os números de acessos da página, desde a taxa de conversão de notícias em cliques no site, quais matérias estão sendo mais acessadas, e até mesmo quais postagens estão tendo uma maior interação do público, para impulsionar a publicação (ferramenta disponível pelo Facebook; o veículo paga uma determinada quantia para que a postagem tenha um maior acesso). Dessa forma, dia após dia a imagem dos veículos são construídas para que o público tenha uma maior aceitação de suas notícias. Novas tecnologias são aderidas, hashtags e brincadeiras com o público são utilizadas; tudo para a construção da página e um maior acesso dos usuários ao site.

Análise de linguagem

Analisando três portais de notícias online – G1, Bahia Notícias e Correio24horas – alguns aspectos podem ser notados: O texto da postagem é sempre curto, raramente passando de duas linhas, a ideia é que ele funcione como subtítulo da matéria, e que tenha informações que chamem a atenção do leitor para clicar na noticia.

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Outro fator bastante explorado nas postagens é a hashtag. Uma ferramenta de pesquisa extremamente útil, usada e abusada pelos portais que querem que suas notícias apareçam primeiro nas pesquisas do Google. Abaixo segue o exemplo do portal Bahia Notícias, que publicou uma notícia sobre o processo de impeachment, e usou a hashtag #Política.

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Dessa forma, se alguém buscar no Facebook pela #Política, certamente irá se deparar com essa notícia. Isso leva a mais acessos no site. Alguns também, utilizam hashtags do próprio veículo. A página do G1, sempre utiliza #G1, assim como a Folha De S. Paulo utiliza #folha.

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Outro recurso de linguagem bastante utilizado nas publicações são os emojis. Antes utilizados por jovens, em conversas particulares de chats, para expressar sentimentos; hoje eles são explorados pelos portais como forma de gerar uma linguagem informal e se aproximar do leito. Eles são muito utilizados em notícias ligadas ao lazer, a cultura, ao dia-a-dia,  que pedem uma comunicação mais leve, longe da formalidade de notícias sobre política e economia, por exemplo.

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Em ambas as publicações, os emojis refletem as reações mais comuns que o leitos poderia ter ao ler a notícia: a tristeza pelo fato dos livros ficarem mais caros, e o frio (congelando igual a um boneco de neve), por conta do mau tempo. Em tese, os emojis continuam com a mesma função de representar sentimentos, porém, diferente diferente do chat, o jornal põe carinhas chorando como uma forma de dizer ao leitor que também esta muito triste pelo aumento do preço nos livros. É uma forma de humanizar a notícia, levando a uma aproximação e identificação com o leitor.

A adaptação da plataforma à disseminação da notícia

O Twitter é um microblog que surgiu em julho de 2006, entretanto, além de blog, o Twitter tem um caráter híbrido, funcionando também como rede social. Inicialmente a plataforma era utilizada para responder a pergunta “O que você está fazendo?”, potencializando a característica de rede social e fazendo com que os usuários postassem mais sobre sua rotina. Ao longo dos 10 anos de uso da rede social, muitos usos foram surgindo e a ferramenta acabou sendo apropriada para diversas outras finalidades, inclusive para o jornalismo. O Twitter se adaptou, por exemplo, à forma com que os próprios usuários estavam o utilizando. Com o mínimo de 140 caracteres por atualização, o surgimento de convenções dos usuários acabou fazendo com que a plataforma inserisse os recursos de “hashtags”, “retweets”, “replies”, entre outros. Evidenciando ainda mais a importância que a disseminação de notícias teve dentro dessa plataforma, teve a atualização de sua pergunta inicial, que passou de “O que você está fazendo?” para “O que está acontecendo?”, uma mudança simples, mas que acaba trazendo uma diferença conceitual ao uso cotidiano do microblog. Dentro da plataforma, a notícia pode ser utilizada para que os usuários a relatem em primeira mão, para comentá-la após recebê-lo de outras fontes ou até mesmo para repassá-la após ter visto em outros lugares, ou no próprio Twitter, com a ferramenta “retweet” ou não. Os próprios veículos utilizam do Twitter de diversas formas, com cobertura minuto a minuto, com a divulgação das últimas notícias ou até mesmo com os bastidores de alguma cobertura importante.

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   What’s happening? / O que está acontecendo? 

Outra ferramenta criada pelo Twitter no segundo semestre de 2015 foi o “Tweet Moments”, que é uma aba da plataforma onde os usuários podem acessar os principais fatos do dia reunidos em uma lista. O sistema é dividido em editoriais: Entretenimento, Diversão, Hoje, Notícias e Esportes.  Existe uma equipe de jornalistas, liderados por Leonardo Stamillo, diretor editorial da plataforma na América Latina, que inicia cada assunto com um breve texto – e uma imagem ilustrativa – explicando o que será abordado, seguido dos tweets selecionados para compor a notícia (veja aqui). A aba é alimentada durante todo o dia, de acordo com a frequência do surgimento das notícias.

 

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Mudança do fluxo informacional

Como novo meio de comunicação, a internet trará dois fatores importantes para a mudança do fluxo informacional: a possibilidade de todos serem não apenas receptores, como também emissores de informação; e a aproximação dos meios de comunicação de massa com o público. As redes sociais irão potencializar ainda mais esses dois agentes.

A possibilidade de gerar informação, já não é mais exclusiva dos grandes meios. Basta qualquer um esta com um celular que notícias, desde um pequeno acidente, até desastres naturais, podem ser transmitidas. O jornalismo digital irá se aproveitar disso. Na maioria das vezes, as notícias chegam através de um chamado “textão” no Facebook, de uma foto no Instagram, ou de um tweet. Essas pessoas serão as grandes fontes dos jornalistas da nova era.

Depois de apurada e publicada no site, a notícia já vai para as redes sociais. A partir desse momento, o feedback instantâneo. Através dos comentários, curtidas e compartilhamentos, é possível ter uma análise quantitativa e qualitativa da notícia que esta sendo veiculada.

Isso é o que Reid (1991), irá caracterizar como comunicação sincrônica:

 

Uma comunicação síncrona é aquela que simula uma interação em tempo real.  Deste  modo,  os  agentes  envolvidos  têm  uma  expectativa  de resposta imediata ou quase imediata, estão ambos presentes (on-line,através da mediação do computador) no mesmo momento temporal.

 

Em uma de suas últimas atualizações, o Facebook adicionou novos botões de reações. Além de curtir, o leitor pode amar, rir, chorar, ficar surpreso ou zangado com uma publicação. Tudo isso contribui para que o portal ou site tenha mais retornos mais detalhados dos leitores.

 

Referências:

FOGGIATO, Andressa et al.Curadoria: uma nova possibilidade para a produção jornalística. Disponível em <http://www.portalintercom.org.br/anais/sul2016/resumos/R50-0358-1.pdf> Acesso em: 26 ago 2016

RECUERO, Raquel. Redes sociais na Internet. Disponível em: <https://www.dropbox.com/sh/0wfncfy5igdwcbo/AABlWQWO4Qltk1LleuEJ9Pzwa/Textos/Tema%204%20%E2%80%93%20Sociabilidade%20e%20redes%20sociais%20digitais/Recuero%2C%20R.%20Redes%20Sociais%20na%20Internet.pdf?dl=0&gt; Acesso em: 26 ago 2016

ZAGO, Gabriela da Silva. Recirculação jornalística no twitter : filtro e comentário de notícias por interagentes como uma forma de potencialização da circulação. Disponível em <http://hdl.handle.net/10183/28921&gt; Acesso em: 26 ago 2016